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Pastor Pipe (Com. Gólgota) |
Olá Pastor Pipe, fale um pouco sobre a Comunidade Gólgota para nós.
A Gólgota surgiu há oito anos de um grupo de oito pessoas que tinham no coração um sonho e um chamado ministerial: Levar o Evangelho às Tribos Urbanas, especificamente aos rockeiros. A visão é ter uma igreja que ofereça um ambiente de liberdade de expressão cultural onde a mensagem do Evangelho é inserida na linguagem e contexto deste público alvo. A eclesiologia da Comunidade gira em torno desta proposta. Desde os estilos de Rock que o louvor é tocado e ministrado, até a forma como a Palavra é ministrada, visa falar dentro dessa linguagem.
Como andam os projetos sociais e missionários da igreja?
Nós temos alguns projetos sociais em andamento que visam visitas a orfanatos, asilos, hospitais e ao leprosário. Até bem pouco tempo atrás, nós fazíamos semanalmente discipulados na casa de nove famílias em invasões. Todo mês elas recebiam uma sexta básica e fazíamos um culto mensal voltado exclusivamente para elas. Atualmente temos um casal de missionários na Inglaterra que todos os anos ficam dois meses nos países muçulmanos pregando o Evangelho através da banda No Longer Music. Temos um casal de missionários em Blumenau desempenhando o ministerial pastoral na igreja local. E estamos orando para no ano que vem enviar três missionários para o continente africano e dois para a missão “Asas de Socorro”.
Como foi essa fusão entre a cultura ‘underground’ e o evangelho? Quais valores da cultura entram e quais saem na hora de iniciar uma igreja?
A fusão acontece naturalmente uma vez que viemos desse meio. Nós somos roqueiros que se converteram a Cristo. Portanto, não estamos nos fazendo de loucos para ganhar os loucos. Nós somos loucos, rsrsrs... Os valores que permanecem são os mesmos universalmente aceitos pela fé cristã como absolutos de Deus. Diferenciamos apenas o que é cultura nociva à fé e a vida, daquilo que é cultura passiva e que não necessariamente agride a minha fé em Cristo. Nós acreditamos que a música Rock, roupa preta, piercings, tatuagens, cabelos compridos, etc, não agridem nossa fé. Não há nenhuma imposição cultural sobre os membros da comunidade. Ninguém é obrigado a nada neste aspecto. Agora, quando estamos falando de absolutos na ética cristã, o assunto é outro. E, portanto, funcionamos como qualquer outra igreja neste mundo funciona. Não negociamos valores cristãos!
Tudo o que é diferente causa polêmica. Vocês enfrentaram muitas barreiras no meio cristão quando começaram? Enfrentam?
Bom, no início sofremos todo o tipo de perseguição. Do meio secular, vinham os satanistas/Black-Metals apedrejar e pichar nossa igreja. Alguns membros apanhavam na rua ao serem reconhecidos como membros da comunidade. Do meio evangélico, os irmãos vinham orar na frente do local com imposição de mãos para repreender o capeta, coisa que até hoje somos gratos é obvio... rsrsrsrs. Essa história mudou com o tempo. Conforme uma grande parte dos pastores locais veio a nos conhecer mais de perto, e viu com seus próprios olhos que não éramos adoradores do demônio disfarçados... rsrsrsrs... se tornaram nossos defensores. Hoje eu tenho uma excelente relação com meus irmãos de ministério. É óbvio que ainda tem gente que fala mal da gente sem nunca ter se quer se dado ao luxo de nos conhecer pessoalmente. Dentro disso, existe muitos mitos ao nosso respeito. Por exemplo: Dizem que os membros da Gólgota só se vestem de preto; que eu tenho pacto com o Satanás; que a gente mata criançinhas em cultos fechados; que a igreja é pintada de preto (opa essa última é verdade... rsrsrs).
Qual a visão de vocês no que diz respeito ao assunto “ecologia”? (esse assunto é abordado no site da Comunidade).
Nós não somos militantes neste quesito como deveríamos talvez. Mas, temos consciência de buscarmos fazer o mínimo neste quesito. Mas como se trata de algo muito pequeno, na verdade somos tão alienados quanto o restante da população. Não estamos numa posição de poder dizer que fazemos algo pela ecologia.
“O estilo pesado predomina na Comunidade Gólgota”. Verdade ou mito? Como é o repertório do período de louvor de vocês?
Bom, é fato que o louvor da Gólgota é o louvor mais pesado do Planeta. Sem falsa modéstia, a Gólgota é a igreja que tem o louvor mais pesado da Terra. Porém, vixi, agora vai cair a máscara... rsrsrs. Galera True-Metal do mundo todo que estiver lendo esta entrevista atenção! No louvor da Gólgota toca-se hinos tradicionais, congregacionais, vineyard, Hillsong, Delirious, Casting Crows, Filhos do Homem, Diante do Trono, etc. Pronto, queimei nosso filme... rsrsrs... Mas, também toca Heavy Metal, Power Metal, Hardcore, Punk-Rock, Hard-Rock, etc... Geralmente tocamos dez músicas onde dividimos os estilos de rock. Tocamos três de metal, três de hardcore, três baladas e uma mais tipo rockão inglês. E uma vez por mês fazemos um acústico e tocamos um louvor mais “light” com hinos e louvor tradicional.
Existem muitas bandas ligadas ao Gólgota, elas fazem parte do ministério da igreja, ou são à parte?
Existem as bandas que fazem parte do cast da comunidade e que por terem membros da comunidade inseridos em sua formação, automaticamente estão de baixo de nossa cobertura espiritual. Nós temos um ministério dentro da comunidade que cuida exclusivamente destas bandas dando direcionamento ministerial e todo o apoio necessário.
Rock e espiritualidade? Alguns jovens cristãos já me disseram que rock é um ritmo para se curtir, extravasar, e não muito de adoração. O que o pastor acha disso?
Daí vai depender muito do que é adoração. Se adoração é adorar a Deus pelo que Deus é, eu posso tocar um death-metal com uma letra dizendo aos berros guturais: “Deus é grande e Maravilhoso!”. Agora se estamos falando deste conceito comum de que adoração é música lenta, obviamente só as baladas de rock se encaixarão neste conceito de adoração. Mas, eu discordo deste conceito de que adoração é necessariamente música lenta. Nós temos muitas músicas rápidas que são de adoração. Abaixo vai a letra de uma delas como exemplo:
“Deus de Glória Te adoramos no Teu Trono de Justiça!
Deus fiel e compassivo, Tua bondade é tão grande.
Nova vida Tú nos deste, nova vida em Jesus.
Esperança concedeste para mim um pecador.
Tú é fiel Senhor! Tua é a justiça!
Tua é a Glória! Meu Deus fiel!”
Está música é rápida e 100% Louvor e Adoração!
Ainda sobre rock (e derivados). Como o pastor vê o cenário musical curitibano?
Eu conheço algumas bandas no cenário secular que são muito boas. Mas gostaria de falar das que fazem parte do cenário cristão. Eu destacaria as bandas Desertor, Seven Angels, Hawthorn, Metápolis, Brutal Sacrifice, Te Vejo em Breve, Efrata, Miracle, Azorrague, Never Die, etc. Todas excelentes bandas que tem se destacado no estilo proposto por cada uma delas. Todas têm representado muito bem Curitiba no cenário nacional e mundial.
Unidade da Igreja? Muitos falam sobre isso e por isso perguntamos: Você acha que ela está sendo conquistada de fato? Acha que as igrejas estão dispostas a passar por cima de suas diferenças em prol do um único Reino?
Bom, teoricamente sim. Mas, a questão prática disso é um pouco mais complicada de se afirmar. Eu acho pouco provável que algum dia aqui na terra a “Igreja Presbiteriana do Brasil” irá se fundir com a “Assembléia de Deus”. Ou, que a “Batista” irá se fundir com a “Deus é Amor”. Que a “Menonitas” irá se fundir com a “Quadrangular”. Mas, em aspectos superficiais, a igreja de certa forma está buscando uma unidade. Mas ainda está longe da proposta bíblica.
E o Pastor Pipe? Quais são seus sonhos e planos?
Todos os meus sonhos e projetos envolvem o Reino. Quero gravar o terceiro álbum do Desertor. Quero gravar o álbum de louvor das músicas da Gólgota. Faz oito anos que temos este sonho e até agora não o alcançamos. Temos mais de trinta músicas aguardando este projeto se concretizar.
Quero abrir outros trabalhos da Gólgota na região metropolitana.
Tenho planos de escrever livros, mas ainda não chegou a hora. Preciso amadurecer mais.
Uma das coisas que estes anos de ministério tem me ensinado é a perseverança. Eu não era muito perseverante em praticamente nada na minha vida antes de minha conversão. Hoje, para eu desistir de algo Deus tem que “brigar” comigo. A igreja tem me ensinado a respeitar as diferenças, a perdoar, a encarnar a graça diariamente. Porém a maior lição tem sido amar e ser amado. Não basta apenas amar os outros. Você tem que se deixar ser amado. Brennan Manning, um dos meus autores prediletos, me confrontou com uma pergunta: “Você acredita mesmo que Jesus te ama?”. Esta pergunta trouxe à tona a resposta mais importante da minha vida.
Obrigado pastor! Deixe um recado para os leitores.
Deus é amor! Mas se esta verdade teológica não sair das páginas da Bíblia e se tornar carne na minha vida, a existência não valerá a pena. Só vale a pena existir como o amado dEle. Não temos a escolha de existir ou deixar de existir. Pois este foi um decreto absoluto dEle. Mas temos a escolha de abraçarmos este amor com tudo o que somos mediante a graça. Queiramos ou não, Ele sempre permanecerá nos amando. E não necessitamos de prova maior do que ocorreu naquela cruz. Se aquilo não foi suficiente para nós, o que será então? Eu quero ser conhecido como João foi conhecido: “Aquele a quem Jesus amava!”. Deus os abençoe!
vlw pastor! Muitas bênçãos para ti e a Gólgota!
curitibagospel - 18/06/2009